#2 – Morde aqui a ver se eu deixo

Vivam
Eu sou o João Jotta e estou, mais uma vez, ao volante do podcast Linuxtech e para vos falar de jogos.\
O jogo que vos trago desta vez é um repetente e chama-se Project Zomboid.\
"Mas... porquê um repetente?" - perguntam-se vocês. Simples: em primeiro lugar, porque é, provavelmente, o meu jogo favorito até hoje. Depois, porque tem suporte para Linux. Por fim porque ainda está em Early Access.
Ora isto, para quem ligue menos a jogos e queira apenas jogar e pronto, significa que o jogo está em acesso antecipado, e se quisermos traduzir mais ou menos à letra, e trocado por miúdos quer dizer que o jogo está, simultaneamente, à venda e em desenvolvimento.
Há muita gente que não gosta deste modelo de negócio, de começar com um produto inacabado sem que seja dada, sequer, uma data para finalização do projeto e sente que estão apenas a sacar dinheiro às pessoas mas aqui este vosso amigo não concorda.
E não concorda por uma razão muito simples: The Indie Stone, a equipa por de trás do desenvolvimento de Project Zomboid, trata muito bem a sua comunidade no que toca ao desenvolvimento deste jogo e está em constante comunhão com essa mesma comunidade, sempre a pedir para testar, para opinar e aplicando esse mesmo *feedback* da comunidade em cada nova atualização que vai sendo lançada.\
Chegam até ao ponto de alguém dizer que um dos ícones de um dos itens está esquisito e faz lembrar outra coisa e pedir a nossa opinião sobre qual dos dois nossos ícones ficaria então melhor.
Bem, mas isto é o porquê do jogo continuar a ser relevante, semana após semana, ano após ano, já desde 2013 com este mesmo modelo.
O porquê de voltar a falar no jogo nesta altura é a recente atualização dos gráficos que vem introduzir não só um visual MUITO melhorado ao jogo mas também uma reaprendizagem e melhoria em toda a jogabilidade, toda a mecânica e toda a estratégia.
Mas voltando ao jogo e para quem nunca me ouviu a... tagarelar sobre o meu jogo favorito convém explicar de que se trata este jogo.
Como já disse antes é um jogo que tem vindo a ser desenvolvido desde há mais de 7 anos e é um jogo de sobrevivência num cenário de um apocalipse zombie e esta é a única coisa que nos dão para fazer neste jogo de mundo aberto.
De início podemos criar a nossa personagem com uma série de características como bravura, destreza ou sorte mas também as suas opostas como cobardia, trapalhice ou azar. Isto porque cada personagem tem que encontrar um equilíbrio num sistema de pontos que não poderá ser negativo e são as melhores características que retiram esses mesmos pontos.\
Existem ainda algumas profissões que estão pré-caracterizadas se não soubermos bem como moldar a nossa personagem.
Além das características meramente visuais, nada mais há a fazer a não ser escolher o nosso ponto de partida sendo que podemos iniciar o jogo num de quatro pontos residenciais do gigantesco mapa. Mapa este que é sempre igual (com a possibilidade de adicionar zonas criadas e disponibilizadas pela comunidade) mas os objetos que poderemos encontrar ou os grupos de zombies são sempre gerados aleatoriamente aquando do início de cada jogo.
Foi assim que morreste. É assim que somos então introduzidos a este mundo apocalíptico e rapidamente percebemos que não será um jogo muito rápido. Pelo menos das primeiras vezes que experimentarmos e dependendo muito, também, do local onde começamos, a quantidade de zombies presentes e os itens que conseguimos, rapidamente, encontrar.\
A minha sugestão será procurar de imediato uma casa com poucos zombies por perto e começar, imediatamente, a tapar janelas com lençóis. Depois é procurar mantimentos e ferramentas e armas e só então pensar no longo prazo.
E o que é isto do curto e longo prazo? Bem, para mim o curto prazo é então segurar um local tentando passar o mais despercebido possível. A médio prazo, recuperar ferramentas e começar a proteger a minha base colocando tábuas nas janelas e portas e colocando cordas nas janelas dos andares superiores para poder, facilmente, entrar e sair sem problemas - e isto é importante pois os zombies não sobem cordas. Para mais tarde então o meu objetivo passa por procurar maneira de destruir o acesso de escadas ao andar inferior para não ser surpreendido a meio da noite e começar então a minha construção da base com andares e mais andares, sendo que um bom terraço é sempre bom, principalmente se o enchermos de terra para plantar alguns legumes.
Parece fácil, não é? Acreditem que não. Não só encontrar ferramentas para tudo isto é complicado como as mesmas têm durabilidade. Para complicar ainda mais, quanto menos experiência temos, menos coisas podemos fazer ou menos durabilidade as ferramentas têm e temos apenas uma maneira de melhorar estes aspetos: ler livros para aprender as novas técnicas e praticar. Agricultura, carpintaria, eletricidade, entre outras são apenas algumas das habilidades disponíveis.
E por falar em disponibilidade, convém relembrar que uma coisa que andava prometida há bastante tempo e já está também disponível são os veículos. Agora já é possível utilizar carros para nos deslocarmos pelo mapa e também aqui o jogo traz aquela pontinha de realismo pois não basta pegar num carro e seguir. Há que ter a chave, ter combustível e rezar para que o carro pegue, quer seja pela bateria, quer seja por problemas mecânicos. Tudo isto pode ser resolvido se lermos uns livrinhos e nos armarmos em mecânicos ao longo do jogo.
O facto de termos carros não só revela uma nova maneira de andar a matar zombies por todo o lado onde passamos mas também acesso a outras zonas do mapa que, de outra maneira, seriam mais complicadas de aceder.
O sistema de combate também é das minhas coisas favoritas e muito melhorada com esta nova atualização. Temos agora mais armas e cada uma é agora diferente da outra e tem a sua maneira muito própria de usar e as animações estão também de acordo com cada uma delas.\
Um martelo, por exemplo, que antigamente tinha a mesma animação de quase todas as outras armas, tem agora mais do que uma maneira de utilizar e que a nossa personagem parece adaptar à investida de cada um dos zombies.
Convém referir que todo o jogo se passa numa vista isométrica, em terceira pessoa, mas não pensem com isso que têm uma visão de 360 graus à volta da personagem. Longe disso. Embora os elementos estáticos como casas e carros continuem visíveis independentemente do lado para onde a nossa personagem está virada, os elementos não estáticos desaparecem. Ora, os zombies, como elementos não estáticos, poderão aparecer a qualquer momento, de qualquer parte, e por fim à nossa aventura com uma simples dentada.
Quem já viu qualquer filme ou série de zombies saberá certamente que aquilo é um bicho que é chato e que quando é um ainda se aguenta mas em grupo é complicado de gerir e, vá-se lá saber porquê, por muito deteriorados que os zombies estejam, as unhas e os dentes estão sempre impecáveis, o que os torna muito perigosos.
Project Zomboid desenrola-se num cenário que poderá ser, para alguns de vós, bastante repetitivo, mas agora com variações climáticas e de iluminação- que estão muito bem conseguidas - tornam o ambiente do jogo ainda mais envolvente e a banda sonora - e não me canso de referir a banda sonora - poderá mesmo provocar um ou outro salto da cadeira se forem daqueles jogadores como eu que se deixam envolver no jogo até às tantas da manhã.
Project Zomboid está então disponível nas lojas habituais, Steam, GOG e Humble Bundle por cerca de 14 euros. Quanto a requisitos de sistema, 4GB RAM e gráfica dedicada com 1 GB de memória.
E por hoje é tudo. Espero ter conseguido fazer-vos experimentar este título.\
Divirtam-se e... bons jogos!

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Musicas: O tema musical desta peça está licenciado com: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 
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Jogo:  
 Project Zomboid 

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